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Documentário mostra como as cooperativas estão revolucionando o trabalho no mundo

Apesar de não ser novo, conceito volta a ganhar força em tempos de crise mundial. Esqueça hierarquia, demissões em massa e lucros predatórios: bem-vindo ao futuro

por Redação Galileu
Editora Globo

A crise econômica foi especialmente cruel para a Espanha. Quase 25% da população ativa do país está desempregada e mais da metade dos jovens com até 25 anos está no olho da rua, sem ter qualquer tipo de renda fixa. Mas no País Basco, que, apesar de levar “país” no nome é uma região da Espanha, todos os índices econômicos são bem menos desesperadores. O desemprego geral, por exemplo, não ultrapassou os 15% em nenhum momento da crise. O motivo são visões de mundo diametralmente opostas: há mais de meio século os bascos vêm apostando no trabalho cooperativo, em que todos os funcionários também são donos da empresa e o lucro é apenas mais um fator – certamente, não o principal. Já a Espanha… bem, a Espanha tem encarado a economia daquele velho jeito que todos conhecem: E é aquela coisa: se as ações não mudam, os resultados continuam os mesmos.

O documentário Shift Change ( literalmente ’Mudança de Turno’), lançado dia 18 de outubro, retrata exatamente esse cenário: como um grupo de cooperativas do norte da Espanha está apontando para o futuro do capitalismo e da nossa relação com o trabalho. Em tempos de crise, vem a calhar. Não se trata de socialismo X capitalismo. É algo híbrido, é algo além. Por exemplo: no filme, uma funcionária da empresa diz que o lucro é importante para eles, não pelos motivos convencionais mas sim por causa dessa pequena lógica: o lucro proporciona a criação de empregos. Sem emprego você não tem dinheiro, sem dinheiro você não pode comprar, se você não pode comprar nada, não terá o produto que a empresa comercializa. Uma grande e robusta corporação, coloque-a em crise e a primeira coisa que ela fará é demitir. Nesse modelo que o filme mostra (e, claramente, acredita) manter o emprego do funcionário é sempre a primeira alternativa. Até porque ele é um dos donos também.

Confira o trailer:

A Mondragon é a grande corporação do País Basco. Apesar do nome de indústria-vilã da disney (ou do Greenpeace), ela tem uma mentalidade bem pouco predatória e, aparentemente, muito moderna. “Aparentemente” porque ela existe há mais de 50 anos. No início era apenas uma cooperativa – hoje são 120 (dos mais variados ramos), com 100 mil funcionários e mais de 25 bilhões de dólares movimentados todo ano. Não se trata, portanto, de uma cooperativa de vendedores de maçã da periferia de um vilarejo – apesar da simplicidade que domina as relações de trabalho serem dignas de uma. Os empregados participam de todas as decisões da empresa. A mudança constante de cidades-sede (problema que assola o interior dos EUA) é quase impossível, pois só acontecerá se todo mundo concordar. Você também não fica preso a uma área restrita do processo de trabalho, cada funcionário deve passar por todas as etapas, de modo a entender como o seu papel influencia no todo.

Cerca de 60% dos trabalhadores da região estão em algum trabalho que funciona dessa forma. Eles, inclusive, limitam a diferença máxima que pode haver entre o maior e o menor salário da empresa. Quem ocupa os cargos de direção sabem que poderiam ganhar o dobro em uma empresa convencional, mas eles também sabem que dinheiro não é tudo. Ter um trabalho significativo é o que mais importa e é também a justificativa que mais se ouve durante o trailer do documentário. Os funcionários têm muita responsabilidade e sabem que podem ajudar a empresa, já que participam de todas as decisões que envolvem os rumos dela.

Não prejudicar a comunidade em que ela está instalada é uma das preocupações centrais, até porque muitos dos funcionários moram nela. Invariavelmente, as pessoas se envolvem mais com o trabalho, se dedicam a ele por prazer, por verem sentido, e não só para pegar o contra-cheque no final do mês. O contracheque é importante, mas quanto menos mecânico e obrigatório for o processo para chegar até ele, melhor. Como diz um americano que trabalha em uma cooperativa nos EUA: “É como uma casa – se você a aluga, não é tudo isso, mas se ela é sua…é um ótimo negócio”. Quando alguém tem uma casa e sabe que vai ficar lá, no mesmo lugar, por muitos e muitos anos, vai se dedicar para torná-la o lugar mais agradável do mundo, vai se lembrar com carinho dela para sempre.

Viviany Pfleger – Fundadora e editora do Blog Empreende Floripa
Viviany é administradora (CRA/SC) pós-graduada (especialização) em sistemas de planejamento e gestão empresarial pela UFSC. Recentemente selecionada como fundadora do Google Business Group Florianópolis, atua profissionalmente desde 2002 no mercado de Florianópolis, tem experiência em processos organizacionais, gestão da qualidade e planejamento estratégico de projetos e negócios, gosta de empreender, gosta do impacto que isto pode causar, da sensação de um sonho realizado e de ver as coisas conectadas.
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