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Pequeno empreendedor: 5 dicas para sobreviver à crise de Covid-19

O pequeno empreendedor está sendo o mais afetado economicamente pela pandemia da COVID-19. Segundo a pesquisa “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, do Sebrae, a pandemia mudou o funcionamento de 5,3 milhões de pequenas empresas no Brasil, o que equivale a 31% do total. Outras 10,1 milhões, ou 58,9%, interromperam as atividades temporariamente. Além do suporte governamental, por meio de políticas públicas destinadas aos microempreendedores e profissionais autônomos, existem outras práticas que podem ser adotadas pelos donos que podem fazer a diferença neste momento. O impacto é decorrente do fechamento do comércio em alguns locais, o impacto negativo deve ser superior a R$ 100 bilhões nos próximos meses, de acordo com a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).  Para Alexandre Souza, gestor do Startup SC, iniciativa do Sebrae de fomento ao empreendedorismo em Santa Catarina, alguns setores irão demorar para voltar à estabilidade, como o segmento hoteleiro e o de viagens; já outros devem crescer rapidamente ao longo que as medidas de restrição forem sendo flexibilizadas, como é o caso do alimentício. “Independente do setor, os pequenos negócios são os que mais sofrem com o cenário de instabilidade por muitas vezes não terem reservas de emergências e trabalharem com fornecedores menores, tendo dificuldade de negociar preços”, afirma Souza.

5 empreendedores de longa data compartilham práticas que podem salvar o seu negócio: 

Organize o fluxo de caixa: Analisar o fluxo de caixa e entender o momento atual da empresa são passos fundamentais segundo Rodrigo Kratzer, CFO da Transfeera, fintech open banking de gestão e processamento de pagamentos. O especialista acredita que ainda há muito caminho pela frente e é preciso analisar se o planejamento dos primeiros meses trouxe bons resultados. Uma prioridade é verificar se é possível prever a receita e os gastos, além de avaliar se o cenário atual da empresa se aproxima do que vinha sendo vivido pré-pandemia. “O mais importante é o fluxo de caixa. Sabemos que ter receita para três meses não é suficiente para bancar a folha de pagamento dos funcionários, então é necessário pensar em captar o suficiente para manter a operação por pelo menos mais seis meses, imaginando que a pandemia se prolongue e que vamos precisar desse recurso para a empresa sobreviver”, finaliza.

Trabalhe em conjunto: Atuar em redes ou associações estreita a comunicação entre as empresas, que podem buscar maneiras conjuntas de enfrentar os problemas deste momento. Existem várias formas de cooperação que podem ser benéficas para os negócios, dentre elas as redes associativas. Segundo Jonatan da Costa, CEO da Área Central, empresa especialista em gestão de centrais de negócios, as redes são compostas por grupos de organizações com interesses em comum para a melhoria da competitividade de um determinado setor ou segmento. “Essa forma de associação busca parcerias que proporcionem mais lucro, mais renda, agilidade, informações e tecnologia para a gestão da entidade”. Esse modelo de negócio permite empoderamento aos mais diversos segmentos, eles conseguem entrar no páreo de forma mais justa com grandes players do mercado.


Ganhe tempo: digitalize o backoffice: Uma das dificuldades dos pequenos negócios é ter pessoal dedicado a manter as contas organizadas e ainda executar tarefas que demandam tempo, mas que são importantes para a saúde financeira da empresa. Piero Contezini, CEO do Asaas, startup que desenvolve uma conta digital para empreendedores, sugere que as empresas busquem automatizar as operações de backoffice, agilizando processos de uma forma mais econômica. “Uma plataforma que digitalize operações a um baixo custo é uma solução. Hoje é possível automatizar o envio de cobranças, gerar notas fiscais, fazer negativação de inadimplentes  e emitir pagamentos em um só aplicativo. Isso ajuda a dedicar tempo para outras ações, para melhorar o produto e pensar de uma forma mais estratégica. Com certeza, o impacto virá a longo prazo”, explica.

 
Em fase de investimento: avalie o mercado externo: De acordo com Eládio Isoppo, CEO e cofundador da Payface, startup de tecnologia que proporciona pagamentos em varejos físicos por meio de reconhecimento facial, avaliar como o mercado externo está se comportando e se manter atualizado sobre os movimentos feitos em outros países devem ser prioridades para quem está em fase de investimento durante períodos de instabilidade. A startup recebeu investimento pré-seed em 2019 e fechou sua nova rodada de aporte em maio, no meio da pandemia, somando R$ 3 milhões. Para Isoppo, consolidar o novo investimento em um momento como o atual só foi possível pela proposta de valor aos grandes varejistas e consumidores. “As primeiras trocas com os investidores aconteceram antes de a crise do coronavírus chegar ao Brasil, mas mesmo enfrentando a pandemia conseguimos manter nossas negociações até maio”, conta o CEO.

Reinvente-se: O mundo está funcionando de maneira geral no curto prazo, e o curto prazo são 15 dias, e tudo em virtude da pandemia que causa um cenário econômico muito diferente do que a gente viveu até o início do ano. Sem muita previsibilidade no médio prazo, há uma tendência de que os ajustes nas empresas sigam sendo feitos também num período menor. Diante desse cenário é preciso reinventar-se. Essa é a dica de Daiane Andognini, CEO da Hug, consultoria especializada na formação de cultura de gestão de pessoas em empresas de tecnologia. “Um dos caminhos viáveis é transformar um serviço que antes era fornecido no modo físico para o digital ou começar a prestar um tipo de serviço que seja necessário nesse momento, como por exemplo, a produção de máscaras, respiradores e álcool em gel, ou investir nos segmentos de entrega e comércio eletrônico. Essa renovação é necessária, principalmente quando consideramos que em alguns setores o cenário vai melhorar, enquanto outros têm tendência de recuperação econômica mais lenta”, aponta a executiva.

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